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Vera Menezes (UFMG) e Júlio Araújo (UFC)

Grupo de Trabalho Linguagem e Tecnologias (LINTEC) da Anpoll - 13/10/2010

A Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (Anpoll) aprovou neste ano de 2010 a criação do Grupo de Trabalho Linguagem e Tecnologias (LINTEC) sob coordenação da Profª Drª Vera Menezes (UFMG) e do Prof. Dr. Júlio Araújo (UFC). O LINTEC conta ainda com a participação de 14 membros oriundos de 11 instituições de ensino superior, todos os pesquisadores brasileiros com relevante produção acadêmica. Nesta entrevista, os coordenadores do GT falam sobre os projetos que serão desenvolvidos nos próximos anos.

 

 

 


JOSÉ PAULO DE ARAÚJO: Pesquisas envolvendo linguagem e tecnologia vêm sendo realizadas há vários anos. Por que só agora foi criado um GT com esse escopo?
LINTEC – Os estudos na aérea foram acontecendo isoladamente e, pouco a pouco, os pesquisadores foram se encontrando e se agrupando. Depois, essas pessoas passaram a trabalhar mais ou menos juntas. A criação do LINTEC como um GT da ANPOLL apenas legitimou politicamente nosso trabalho dentro Associação. Para formar um GT na ANPOLL é necessário reunir pelo menos 10 pesquisadores de universidades diferentes e todos eles devem ser ligados à pós-graduação. Muitos dos atuais integrantes do GT atuam também em outras áreas e estavam afiliados ao GT de Linguística Aplicada. Há dois anos percebemos que já tínhamos um grupo consolidado e tentamos criar o grupo, mas fomos barrados por questões burocráticas da ANPOLL. Entramos com novo pedido no ano seguinte e em julho de 2010 conseguimos a aprovação.
 
JP: Alguns educadores são relutantes na incorporação das novas tecnologias da informação e da comunicação (NTICs) em suas práticas docentes. Existe resistência semelhante no universo da pesquisa acadêmica?
LINTEC – São poucos os colegas que ainda exibem algum preconceito em relação à incorporação das novas tecnologias tanto na sala de aula quanto na pesquisa acadêmica. O apoio das agências de fomento tem sido essencial para reverter o preconceito.
 
JP: O primeiro desafio do GT, tal como declarado no Plano de Trabalho do Biênio 2010-2012, será o “levantamento histórico das pesquisas produzidas no Brasil envolvendo Práticas sociais da linguagem mediada pela tecnologia”. Que problemas vocês anteveem nesse processo?
LINTEC – Acho que um problema é não ter representantes de todos os programas de pós-graduação e como as pesquisas mais antigas não estão disponíveis na web, teremos que buscar novos meios para conseguir fazer um levantamento fiel da pesquisa envolvendo práticas sociais da linguagem mediada pela tecnologia.
 
JP: Como vocês veem o engajamento de pesquisadores brasileiros em estudos relacionados ao binômio linguagem-tecnologia nesta primeira década do século XXI?
LINTEC - O fato de cada vez mais os pesquisadores aprovarem seus projetos de pesquisa nos órgãos de fomento do país (seja no CNPq ou CAPES, seja nos órgãos estaduais de apoio e amparo à pesquisa), mostra o quanto o engajamento nessa área está em franca expansão. Acreditamos que essa é uma área muito fértil e essa fertilidade se reflete no aumento de dissertações e teses e no número crescente de publicações livros e periódicos.
 
JP: Além dos produtos declarados no Plano de Trabalho (relatório, livro), que outros benefícios o levantamento trará para a comunidade acadêmica interessada no tema?
LINTEC – Com esse levantamento, teremos um estado da arte da pesquisa brasileira e poderemos construir uma política para a pesquisa sobre linguagens e tecnologias no Brasil de forma a induzir projetos colaborativos para investigar temas que precisam ser mais pesquisados. Além disso, o aspecto metodológico que tem sustentado a prática de pesquisa nessa área será um ganho, visto que, ao examinar de perto as metodologias adotadas na pesquisa brasileira, teremos, não apenas uma fotografia das principais tendências metodológicas da pesquisa em linguagens e tecnologias vigentes no país, como também apresentaremos condições de prever as futuras tendências das metodologias a serem adotadas nos estudos porvindouros.
 
JP: Qual será o papel das NTICs na educação e na pesquisa das próximas décadas?
LINTEC – Como dissemos acima, o mapeamento seguido de um estudo interpretativo das metodologias adotadas nas pesquisas em linguagens e tecnologias podem nos fornecer importantes indícios de como as NTICs estão sendo estudadas pelos pesquisadores. Metodologia de pesquisa é um jeito de olhar para o fenômeno estudado, o que pode ser revelador de como os pesquisadores mostram os papeis que as pessoas dão as NTICs. De nossa parte, compreendemos que o papel das novas tecnologias é fundamental para organização das práticas sociais de linguagens, pois estamos definitivamente em uma fase de, não apenas transição entre a cultura do papel para a cultura virtual, mas de ‘transmidiação’ entre ambas. A cada dia surgem novas tecnologias e precisamos estar sempre em dia com o conhecimento produzido na área.