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Leonor Werneck (UFRJ)

Gêneros Textuais e Ensino - 26/07/2011

Leonor Werneck dos Santos é doutora em Letras Vernáculas (Língua Portuguesa) pela UFRJ, instituição da qual é docente desde 1995. Leonor realiza e orienta pesquisas nas áreas de Linguística Textual, referenciação, gêneros textuais, articulação textual, literatura infantil e ensino de leitura. Foi presidente da Associação de Estudos da Linguagem do Rio de Janeiro (Assel-Rio) no biênio 2008-2009. Nesta entrevista, ela fala sobre o lançamento do e-book Gêneros Textuais nos Livros Didáticos de Português, sobre suas pesquisas recentes e também sobre sua participação no Projeto Letras2.0.

 

 

 


JOSÉ PAULO DE ARAÚJO: Gêneros Textuais nos Livros Didáticos de Português foi escrito com seus alunos de pós-graduação com a finalidade de discutir tanto questões teóricas relativas aos gêneros textuais (GTs) quanto aspectos práticos de sua aplicação ao ensino. A quem se destina essa obra?
 
LEONOR WERNECK: O livro é uma coletânea de artigos, resultado de debates travados durante um curso de pós-graduação, com alunos de Mestrado e Doutorado, na Faculdade de Letras da UFRJ, em 2010. Selecionei os melhores trabalhos da turma para publicar, pois acredito que é essencial divulgar o que fazemos na Universidade; é nosso dever fazer isso. Eu e a turma lemos textos de vários teóricos e procuramos analisar duas coleções de livros didáticos, de qualidade, para saber de que maneira os GTs vêm sendo trabalhados. Então, acredito que o livro interesse alunos e professores de graduação e pós, que pesquisem GTs e ensino, mas também é uma obra que pode auxiliar o professor que trabalha nos níveis fundamental (EF) e médio (EM) a repensar sua prática de sala de aula.
 
JP: Nessa obra, vocês discutem a aplicação do conceito ao ensino e realizam análise de livros didáticos. Vocês pretendem dessa forma estimular os leitores a buscar aplicações pedagógicas imediatas dos conceitos discutidos? Caso a resposta seja afirmativa, que tipo de suporte é dado para essas aplicações?
 
LW: Nesse livro, não tivemos como objetivo propor sugestões de atividades, até porque os artigos tinham um limite de páginas e isso seria impossível. Cada autor analisou um GT nas duas coleções de EF selecionadas para o curso que ministrei, enfocando como o livro do aluno apresentava (se apresentava) o conceito de GTs, que tipo de atividades era sugerido, se essas atividades integravam as práticas de linguagem (leitura, produção textual, análise linguística), como é proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN). Além disso, os manuais do professor também foram analisados, para sabermos se havia coerência teórico-metodológica na abordagem dos GTs. 
 
JP: Como o ensino do vernáculo poderá ser beneficiado por uma abordagem de ensino fundamentada no conceito de gênero textual?
 
LW: Os PCN defendem que a escola deve considerar o texto como unidade de ensino de língua, então a abordagem dos GTs é essencial, pois não produzimos textos soltos, sem objetivos ou interlocutores. Cada texto ajusta-se a um GT, conforme as necessidades sócio-interacionais, e mostrar isso aos alunos ajuda a torná-los leitores e produtores críticos.
 
JP: Quais têm sido os focos de suas pesquisas atuais?
 
LW: Tenho orientado trabalhos de Mestrado e Doutorado que pesquisem GTs e referenciação, analisando livros didáticos de EF e EM ou aplicando conceitos a textos diversos.
 
JP: Como você descreve sua adesão ao Projeto Letras2.0?
 
LW: Resolvi participar para colaborar com o Projeto, que considero muito original e  importante para a Faculdade de Letras, e porque gosto de novos desafios e de aprender coisas novas. O aspecto mais importante dessa experiência, para mim, foi poder rever minha prática a todo instante. Às vezes, pela prática de sala de aula, nem paramos para rever o que fazemos com os alunos. Ao usar um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), algo que eu desconhecia, precisei repensar o curso a cada semana. O projeto Letras2.0 colaborou na minha formação, porque não conhecia os AVAs e aprendi muito com a plataforma, me atualizando com a tecnologia. E professor, na minha opinião, tem que estar sempre se (in)formando.