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Carlos Parente (Anhembi Morumbi)

Comunicação Empresarial - 13/04/2009

Carlos Henrique Parente de Barros é administrador de empresas e especialista em marketing pela FEA-USP. Professor da Universidade Anhembi Morumbi e Brazilian Business School, Carlos Parente também atua há duas décadas na área de comunicação e marketing em empresas nacionais e multinacionais. Além de escrever artigos para revistas especializadas, publicou o livro Obrigado, Van Gogh!, no qual aborda, de forma divertida, por meio de relatos de suas próprias experiências, diversos aspectos da comunicação empresarial. Nesta entrevista, Carlos fala sobre comunicação empresarial, tecnologias e formação.

Carlos Parente (Universidade Anhembi Morumbi)

 


JOSÉ PAULO DE ARAÚJO: A comunicação empresarial, tema de seu livro, está a serviço de quem: do empresário, que também é seu patrão, ou do empregado, que é seu colega e também 'consome' o produto de seu trabalho?

CARLOS PARENTE: De fato, comunicação empresarial está a serviço de todos stakeholders...funcionário, família, empresário, imprensa, cliente, formadores de opinião, governo, entidades de classe, comunidade, associações (ONGs), acionistas etc.!

 


JP: Que público-alvo você tinha em mente quando escreveu o livro Obrigado, Van Gogh!?

CP: Profissionais que atuam ou que queiram atuar na área de comunicação empresarial.

 


JP: Logo no primeiro capítulo do livro, você afirma, de forma contundente, que "apenas informar não é suficiente. É fundamental formar as pessoas, capacitá-las". Com o excesso de informações a que cada pessoa está exposta atualmente, como é possível para o profissional de comunicação sinalizar qual informação poderá, de fato, capacitar seu público-alvo?

CP: Vejo a  'comunicação' como uma competência básica de qualquer profissional. Ora ele precisa como gestor de uma equipe, ora ele precisa para selecionar o que é relevante, ora ele necessita para 'editar' o que lhe é transmitido. Enfim, capacitar o público-alvo nas competências básicas da comunicação: credibilidade, relevância e significado.

 


JP: Em um capítulo muito divertido, você usa as expressões 'comunicação Flintstones' e 'comunicação Jetsons' para se referir às tecnologias de comunicação menos e mais contemporâneas, respectivamente. Em sua opinião, o que determina a escolha da melhor tecnologia para comunicar em determinado contexto.

CP: Primeiro a definição de qual é o  público-alvo. Não adianta sofisticar a mídia quando precisamos falar com – por exemplo – o chão de fábrica. Também precisamos de um mix adequado e criativo para transmitir a importância e conteúdo das mensagens. Afinal nem tudo precisa ser 'on-line'... Nesse sentido, misturar 'novas tecnologias' com 'mídias tradicionais' proporciona um bom 'caldo comunicacional'.

 


JP: As novas tecnologias de comunicação parecem estar gerando um padrão de comportamento muito consistente com relação à leitura: as pessoas leem muito rapidamente e se limitam às primeiras linhas de um texto antes de abandoná-lo por outro texto ou outra atividade. O que os comunicadores têm feito para lidar com esse fato face à necessidade que as empresas têm de manter seus empregados bem informados?

CP: Editar é fundamental! Reunir o que há de mais relevante no título, olho1, fotos, introdução... As pessoas andam muitos dispersas pelo excesso de informação. Portanto, é necessário foco, frequência e a disciplina de ir 'direto a questão'. Muitas vezes o medo de passar a percepção de que a mensagem está 'superficial', exacerbamos  o contexto em que mensagem é passada com excesso de informação de efeito apenas 'cosmético'.

Não concordo muito com a crença de  que 'as pessoas não leem'... Acredito que elas não tem 'tempo a perder'. Logo, é fundamental sermos corajosamente simples e extraordinariamente criativos na construção da mensagem. Para seduzir o leitor/ouvinte. Para deixar claro as mensagens core (principais).

 


JP: Quais das tecnologias de comunicação mais recentes apresentam o maior potencial de uso no contexto empresarial para os próximos anos? Em outras palavras, quais representam o ‘novo’, e não a ‘novidade’, segundo o filósofo Mario Sergio Cortella (PUC-SP)?

CP: Tudo que 'presta serviço', agrega valor  e dá prazer vai ficar: Internet, blog , podcast... Mas, tecnologias do tipo o touch screen  e os 'Iphones da vida' podem ter vida curta. Não pela incompatibilidade de sua função mas, talvez por ainda não estarem 'azeitadas' como podem/devem ficar num futuro próximo.

 


JP: No último capítulo, você presta uma homenagem a seu pai, um educador, e declara que deseja contribuir para o desenvolvimento das pessoas. Que outras aproximações você vê entre a Educação e a Comunicação Social?

CP
: Muitas! Se 'quebramos' a palavra Educar aprendemos que o 'E' significa 'movimento' e o 'DUCAR' do latim 'ducere' significa de 'de dentro para fora'.

Portanto, qual o papel da 'Comunicação Social' senão estimular um movimento de aprendizado de novos conceitos, de transformação da sociedade, de mudança de paradigmas e principalmente do indivíduo – de dentro para fora?

 


JP: O que determinou a opção pelo formato do livro, isto é, pelo uso de relatos de suas experiências profissionais e mesmo pessoais?

C
P: Foi o feedback dos alunos ao longo dos meus quase 10 anos como docente. Sempre contei muitos 'causos'. Esse 'jeito de ensinar' pela vivência sempre gerou muita empatia e principalmente credibilidade. Acredito firmemente que quando aliamos o conceito a prática (experiência real) potencializamos o aprendizado. Geramos recall no que é dito e também proporcionamos uma realidade mais próximo do leitor/ouvinte.

 


JP: Nos relatos do livro, segundo Cortella, você partilha vivências que "deram certo, as que poderiam ter dado certo e as que deveriam ter dado certo." Essa distribuição pende mais para o lado das experiências que não resultaram em sucesso. Você não temeu o risco da exposição negativa?

C
P: Se eu respondesse que não estaria mentindo. Em determinado momento da elaboração dos textos recebi um feedback que me alertou: para não ser amargo ao relatar os fracassos. Mas, por ser uma pessoa alegre, muitas vezes brincalhona e também crítica com tudo e com todos, me permiti transitar pelos percalços da vida profissional com muita transparência e tranquilidade.

Acredito na ética que inspira e não na ética que limita. Por exemplo: aquela publicidade que vende uma geladeira mega/máster/plus tecnológica porém, que aparece na TV num cenário – cozinha – inimaginável, daqueles apartamentos enormes, fora do alcance médio dos consumidores. É uma mensagem que  não inspira! E, apesar de aspiracional, limita!!! Mas, a mesma geladeira, numa cozinha bacaninha, num apartamento moderninho – mas, viável, sim, estimula o consumidor a sonhar e perseguir seu objetivo. Inspira seus movimentos na busca desse sonho.

Relatar experiências que não deram certo é minha crença que através da 'verdade', do 'case real', vivido e às vezes sofrido, possa de fato, inspirar o leitor na busca do papel do comunicador e da comunicação – atividade para quem quer contribuir para o crescimento das pessoas.

 


JP: Dois anos depois da publicação, você já descobriu quem são os leitores de seu livro? Que feedback tem recebido deles?


CP: Principalmente profissionais e alunos da área de comunicação empresarial. Fico sempre emocionado e satisfeito com os feedbacks. O verdadeiro e legítimo objetivo do livro foi 'compartilhar' conhecimento, de forma leve, às vezes engraçada, mas com clareza da responsabilidade que tinha como comunicador.

Retransmito abaixo duas mensagens que foram marcantes:

"Prezado Carlos Parente,

Sou [NOME OMITIDO], 23 anos, formada em Relações Públicas na UNESP de Bauru, em dezembro de 2007. Hoje estou no meu primeiro ano como profissional na [NOME DA EMPRESA OMITIDO]. Fiz também um ano e meio de estágio na fábrica da mesma empresa, em Bauru. (Um breve esclarecimento de quem sou).

Costumo dizer que tenho a ousada mania de escrever aos autores de artigos ou livros que admiro. Por isso tomei a liberdade de te escrever este e-mail. Acabei de ler seu livro 'Obrigado, Van Gogh', que recebi no 8º Mix de Comunicação Interna da Aberje. Gostei tanto que sem perceber passei a usar emprestados seus argumentos em meu dia-a-dia de trabalho.

Seu texto é instigador, provocante e humano. Você pode, como escreveu, até pensar que as idéias do seu livro não têm a pretensão de deixar o mesmo legado do seu pai, prof. Barros, que tinha seus 17 mil livros na estante... mas posso afirmar com certeza que suas idéias e insights me causaram o efeito imediato de querer ir além. Ir além do que vemos no 'quadro de Van Gogh', além da simples divulgação de notícias, além do fazedor de textos.

Creio que quem escolhe Comunicação já tem uma alma inquieta, e creio também que aqueles que ficam com amor ficam por vocação, e pela causa. E o seu livro só me fez ter ainda mais certeza disso, além da vontade de me posicionar, cada vez mais, estrategicamente a fim de criar relacionamentos duradouros e profícuos.

Porque, se me permite plagiá-lo, beleza sem alma não tem significado, não tem relevância, não mobiliza.

Já indiquei o seu livro a todos os meus amigos e conhecidos. E falarei dele por onde eu for.

Obrigada por tê-lo escrito!

Abraços,

[NOME OMITIDO]."

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"Carlos Parente,

Muito obrigado pelos ótimos momentos que tive lendo o seu precioso livro.

Adorei.

A sucessão das suas experiências, revelando de forma envolvente tanto os sucessos quanto os fracassos... ou melhor, os aprendizados são narradas de forma intimista, num crescendo que marca os verdadeiros 'contadores de histórias'.

O que marca também é que você, assim como os melhores gourmands franceses,  faz do 'molho' a estrela principal: todas as reflexões que pontuam cada passo dado em sua narrativa sempre são 'insights' muito claros, simples mas reveladores.

Agora falando na 'primeira pessoa' mais 'nuclear': o que emocionou, 'tocou fundo' foi toda a construção feita com referências ao Professor Barros, finalizando com a clareza da nossa missão nesta existência: a de apoiar o desenvolvimento humano, no seu sentido mais amplo, compartilhando com os demais o nosso aprendizado, as nossas reflexões e experiência que acumulamos nessa caminhada.

Tenho tentado ser fiel a essa crença, a esse sentido da existência, diuturnamente.

Reconheço que não na intensidade devida (e desejada).

E o seu livro foi mais um alerta para que continue firme nesse propósito, independente dos desafios.

Obrigado, Carlos Henrique Parente de Barros!

[NOME OMITIDO]."

 

1 Olho é um intertítulo ou subtítulo de três a cinco linhas.